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quinta-feira, 12 de junho de 2008

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Leitura do desenho infantil em abordagem psicopedagógica

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos teve bom resultado ao utilizar desenhos para avaliar problemas psicológicos e emocionais de crianças de até 5 anos. Os cientistas deram questionários aos jovens, sugerindo problemas emocionais em outras crianças. Para responder, os jovens analisados precisavam marcar as alternativas com desenhos.

O estudo foi feito com 107 crianças e suas mães responderam aos mesmos questionários. Os pesquisadores perceberam diversos problemas como ansiedade, depressão e distúrbios de atenção, como a hiperatividade. Cerca de 15% a 20% das crianças analisadas apresentaram problemas emocionais e comportamentais.

Quando os pesquisadores compararam os resultados com um padrão de medição eles perceberam que as respostas das crianças eram um bom indicador de problemas potenciais. A conclusão do estudo é que os médicos podem e devem utilizar mais as próprias crianças para avaliarem os seus problemas emocionais.

Segundo a drª Beth Wildman, que participou do estudo, os médicos costumam passar menos de 15 minutos com uma criança, em média, o que impede um conhecimento mais profundo do seu comportamento. O estudo foi publicado na última edição do Archives of Family Medicine.

Serviço:
Faça sua pré-reserva no curso de análise de desenho em abordagem psicopedagógica.

Data: 08 de agosto de 2008
Carga horária: 15 horas
Horário: das 19:00 às 22:00 horas
Local: Centro Acadêmico IMPAR / Taguatinga – DF
Investimento: R$ 195,00 - Inclui certificado e material de apoio.
Pagamento em até 12X no cartão de crédito, exclusivo para mercado pago.

Facilitador: Chafic Jbeili - psicanalista e psicopedagogo
Com 10 anos de experiência, desenvolve palestras sobre educação, processos ensino-aprendizagem, família e saúde do professor. Promove vivências entre equipes técnicas e grupos de trabalho de diversas escolas. Presta consultoria e treinamento a professores, orientadores educacionais, gestores escolares e psicopedagogos que necessitam compreender a dinâmica de seus alunos ou clientes e proceder intervenções mais precisas e adequadas.

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terça-feira, 29 de abril de 2008

Os amores de Freud

Na adolescência, o criador da psicanálise enamora-se durante uma viagem; aos 26 anos encontra em Martha a paixão – e a transferênci
por Bernard This

Em 1872, Sigismund está com 16 anos, é aluno brilhante e adorado pela família. Nas férias, aceita o convite dos Fluss para ir a Freiberg, sua cidade natal.

É a primeira vez que retorna ao lugar de infância, depois de sua família ter mudado para Leipzig em 1859 e para Viena no ano seguinte. Na viagem, ele se apaixona perdidamente por uma moça de 14 anos, irmã de Emil Fluss, seu amigo de infância. A história está registrada em uma carta escrita por ele a Eduard Silberstein, em 17 de agosto de 1872:

Só quero dizer que sinto uma inclinação pela primogênita, Gisela, que parte amanhã, ausência que me dará uma segurança no comportamento que até então não conheci. Vossa graça, conhecendo meu peculiar caráter, imaginará, com razão, que, em vez de me aproximar, distanciei-me dela.

Freud descreveu sua paixão ao confidente e não à amada: é dela que fala, mas não para ela. No artigo Lembranças encobridoras (1899), evocando esse amor de adolescente, ele o atribuirá a um paciente anônimo:

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EM CARTA À NOIVA de 5 de outubro de 1883, Freud desenha sua sala no Hospital Geral de Viena.


Eu tinha 17 anos, a filha de meus anfitriões tinha 15 e eu logo me apaixonei. Era a primeira vez que meu coração se inflamava de maneira tão intensa, mas guardei segredo sobre esse amor. Poucos dias depois, terminadas as férias, a jovem retornou ao seu colégio, e a separação, depois de um encontro tão breve, só fez exasperar minha nostalgia.

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O casal, em 1885 (Berlim), pouco antes da partida do jovem médico para Paris, onde passaria alguns meses estudando com Charcot


Na “confissão” a Silberstein, Freud disse estar loucamente apaixonado por Gisela, mas sua chama dirige-se rapidamente para Eleanora Fluss, a mãe da moça. Ele estremecia ao ouvir sua voz e quando se refere a ela não poupa elogios:

Mas afasto-me do assunto que muito me interessa: parece que eu transferi à filha, sob forma de amizade, o respeito que me inspira a mãe. (...) Admiro imensamente essa mulher, como nenhum de seus filhos consegue igualar. (...) Ela leu muito (...) e aquilo que não leu, ouviu falar, e tem suas próprias opiniões a respeito. (...) Conhece inclusive a política, participa dos assuntos do pequeno burgo e creio que é ela quem bafeja um espírito moderno pela casa. (...) Bela, nunca foi, mas uma chama espiritual, uma luz ousada certamente sempre jorrou de seus olhos, como ainda hoje. (...) Devia ver como educou e educa seus sete filhos. (...) Nunca antes eu havia conhecido tamanha superioridade. Outras mães – e por que negar que as nossas estão entre elas? Não as amamos menos por isso – ocupam-se apenas do bem-estar físico de seus filhos e não têm nenhum poder sobre seu crescimento intelectual. Devia ver também com que amor os filhos estão unidos aos pais e com que solicitude os empregados obedecem a eles.

Então, Sigismund quer nos fazer acreditar que estava apaixonado pela filha, embora tão rapidamente direcionasse seu amor à mãe? No primeiro encontro, Gisela usava um vestido amarelo e Freud dirá que essa cor, quando vista em algum lugar, “ainda lhe causava efeito, muito tempo depois”.

O vestido amarelo lembrava ao adolescente a cor das flores colhidas no campo em sua infância: na realidade, rever sua cidade natal emocionara-o mais que a companhia dos amigos. A viagem a Freiberg surtiu efeitos surpreendentes sobre o jovem. Mudou seu nome – de Sigismund para Sigmund – e alterou, sobretudo, seus projetos para o futuro. Aos 12 anos, queria ser ministro; adolescente, o direito e a política o atraíam, e eis que de súbito renuncia à tarefa de governar os homens e a nação para interrogar a mente.

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GISELA, A PRIMEIRA MULHER por quem Freud se encanta, usava um vestido amarelo quando o conheceu. A cor lhe despertaria emoções até muito tempo depois


Teria Freud iniciado sua aventura analítica ao contar para o amigo Silberstein a estada em Freiberg? O processo de escrita já ocupava o primeiro plano de sua reflexão, exatamente como acontecerá mais tarde, entre 1882 e 1886, com as cartas incansavelmente trocadas com Martha Bernays durante os quatro anos que durou o noivado, no ritmo de quase uma carta por dia. Harold Blum, presidente dos Arquivos Freud, declararou, um século depois, que as cartas entre Sigmund e Martha foram “a mais importante correspondência amorosa da cultura ocidental”.

Certa tarde de abril de 1882, Martha Bernays visita as irmãs de Sigmund.O biógrafo de Freud Ernest Jones descreve o encontro:

“(Freud) tinha o hábito, ao voltar do trabalho, de dirigir-se rapidamente a seu quarto para voltar aos estudos, sem preocupar-se com as visitas. Mas, esta tarde, ele parou ao perceber uma moça que, sentada à mesa da família, descascava uma maçã tagarelando alegremente; para surpresa de todos, ele juntou-se ao grupo. Este primeiro olhar foi decisivo.”

Alguns dias após aquela primeira conversa, Freud pergunta se ele poderia ser, para Martha, tão importante quanto ela é para ele. O sol brilha no bosque de Mödling e a jovem se mostra encantadora; eles encontram uma amêndoa com dois frutos.

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EM 28 DE JANEIRO de 1884, Freud comenta as iniciais enlaçadas do novo cartão de visita de sua noiva Martha Bernays: “Na minha opinião, o B é pretensioso demais e o M, por demais modesto. Como sabe, só o M me interessa”. No dia seguinte, ele dirá: “Madame Martha Freud soaria ainda mais belo a meus olhos e a meus ouvidos”. Acima, o monograma refeito depois de suas observações.


Manda a tradição vienense que troquem presentes; ela envia um doce que preparou para que ele o “disseque”, ele lhe oferece uma rosa. Dois dias mais tarde, ela pega sua mão sob a mesa onde janta a família, em resposta a uma atenção delicada: ele quer conservar como lembrança seu cartão de visita.

Feliz, na solidão de seu escritório, Sigmund escreve sua primeira carta de amor, palpitante, com o segredo em primeiro plano:

My sweet darling girl, (...) ignoro ainda como farei chegar até você estas linhas. (...) Mas me parece impossível protelar o envio desta carta, pois, nos poucos minutos que passaremos juntos, não terei nem tempo, nem talvez a coragem de falar tudo... Querida Martha, como você transformou minha existência, que delicioso momento experimentei hoje (...) a seu lado... Como desejaria que a tarde e o passeio jamais terminassem. Não ouso escrever o que me emocionou.

Como imaginar que, durante meses, não verei seus traços queridos; (...) tantas esperanças, dúvidas, alegria, privações encontram-se condensadas nesse espaço de tempo tão curto de duas semanas... Você vai viajar e deve permitir que eu escreva.

Estabeleci uma pequena estratégia. No caso de uma carta masculina parecer estranha na casa de seu tio, escreva com sua mão delicada seu endereço em alguns envelopes e depois eu preencho com um miserável conteúdo essas preciosas embalagens. (...) Para mim é impossível dizer a você tudo que me resta ainda a dizer, (...) não ouso terminar minha frase. (...) Queria estar certo de uma intimidade que talvez deva continuar secreta por muito tempo.

Martha responde, enviando-lhe um anel que pertencera a seu pai, morto três anos antes. Ele o coloca em seu dedo mínimo. Alguns dias depois, relata Jones, um cirurgião “afunda o bisturi na garganta de Freud para retirar um abscesso, e Sigmund, no sofrimento, bate a mão contra a mesa”: o anel quebra. O jovem, transtornado, escreve à bem-amada.

Meu anel quebrou no lugar onde estava a pérola. (...) Reconheço, meu coração não saltou. Nenhum pressentimento me diz que nosso noivado será rompido e nenhuma sombria suspeita me faz pensar que você, bem nesse momento, expulsava minha imagem de seu coração. Um homem impressionável teria sentido assim, mas eu só pensei em uma coisa: consertar o anel. Pensei também que tais acidentes dificilmente podem ser evitados.

Freud ainda não descobriu os “atos falhos”, mas já indaga sobre o significado desse “incidente” que põe em perigo seu amor. No entanto, é Martha quem ele questiona, é do “outro” que ele suspeita, em vez de interrogar a si mesmo sobre o significado desse inchaço em sua garganta, causa do acontecimento. Seria um sinal de angústia diante de seus novos sentimentos?

AUTO-ANÁLISE

Em 17 de junho de 1882, os dois jovens ficam noivos e prosseguem com paixão a correspondência romântica, esta incursão iniciática no diálogo do amor, matéria-prima da psicanálise. Sigmund escreve a Martha: É preciso que você me ame sem razão, como amam sem razão todos os que amam, simplesmente porque eu te amo. Entretanto, em agosto de 1882, uma forte inflamação da garganta impede-o de engolir qualquer coisa durante vários dias. Ao curar-se, ele sente uma fome gargantuesca como um animal saindo de um sono de hibernação, uma fome acompanhada de uma apavorante nostalgia, (...) apavorante não é a palavra exata, eu devia dizer estranha, monstruosa, desmesurada, em suma, uma indescritível necessidade de você. Tradução oral de um amor devorador, que o jovem deverá aprender a refrear, como o fez durante o noivado, sublimando-o na escrita.

Martha tem 19 anos, mas Freud refere-se a ela como uma criatura adorada, um “anjinho”, uma “criança querida”, um “bichinho” a quem ele pede testemunho de sua juventude: Tente, por favor, roubar todas as fotos de tua infância. (...) Eu gostaria tanto de te ver com as faces redondas como se vê em teu retrato de criança. Por que ele quer que ela mais pareça uma criança que um adulto? Cuide-se, jovem, as gavetas serão arrumadas segundo uma nova ordem.

Como o silêncio da senhorita se prolonga, ele se irrita: Eu não quero que minhas cartas fiquem sempre sem resposta! Depois, quando enfim chegam as cartas, seu tom já é outro:

Ao lê-las, não canso de aprová-la, sim, era bem assim que eu queria que ela fosse, minha pequena Martha, e assim ela tornou-se... Você ignora a extensão de sua influência sobre mim. Estou pronto a me submeter à tutela de minha princesa... Você se mostra tão ambiciosa a meu respeito.

Quando penso no que eu seria se não tivesse encontrado você: um homem sem ambição, incapaz de gozar dos prazeres fáceis que o mundo oferece; provido de meios intelectuais modestos, e sem nenhum recurso material, eu perambularia miseravelmente e terminaria na ruína.

Agora você me oferece não apenas um objetivo, uma orientação, você me dá esperança e certeza do sucesso... Tudo o que aconteceu e ainda acontecerá adquire para mim um interesse novo, graças ao próprio interesse que você mesma demonstra... Você escreve com tanto acerto e inteligência que me assusta um pouco...

As cartas sucedem-se, e esse encontro, essa presença real, estranha ao saber que tem de si próprio, permite-lhe antecipar a certeza do sucesso, pois a ambição que nasce dessa proximidade compensa, no imaginário, a incerteza que ele tem do prazer do outro.

Para a psicanalista e escritora francesa Marthe Robert, essa correspondência apaixonante não apenas é digna de figurar em uma antologia da literatura amorosa, mas constitui também uma parte importante da obra freudiana. Com ela finda a correspondência com seus amigos de adolescência, Eduard Silberstein e Emil Fluss, e começa, na realidade, sua auto-análise, bem antes da correspondência com o amigo Wilhelm Fliess.

Mordida a maçã, tem início uma auto-reflexão escrita por Freud: escrevendo a Martha sobre seus sentimentos, angústias, caprichos, sonhos, ele lhe transfere seus afetos e, confiante, deixa livre curso para seus pensamentos: o amor e a separação revelam, para ele, o poder das associações “livres” e conduzem-no, assim, à própria operação analítica. ( Tradução de Juliana Montoia de Lima)

A mulher é um enigma para o homem. Ela coloca em xeque a identificação masculina e interroga-o: qual transformação nele se opera ao assumir sua imagem masculina e quais as conseqüências dessa transformação? Em uma carta que escreveu a Martha, Freud evoca a lenda medieval de Melusina, retomada por Goethe no conto apresentado no romance Os anos de aprendizagem de Wilhelm Meister (1796): o filho do rei dos bretões casa com a fada Melusina prometendo jamais vê-la aos sábados.

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Entretanto, depois de muitos anos de felicidade, o homem descumpre sua promessa e, num sábado, observa, escondido, a esposa: Melusina era mulher até o umbigo e serpente do umbigo para baixo.

Ele a vê se transformar em serpente alada e desaparecer para sempre. Freud diz a sua noiva que ele prefere não lhe contar “todas as idéias extravagantes ou sérias” que a leitura desse conto lhe causara. Essa referência a Melusina ressurgirá em um sonho estranho de Freud: Ernst Brücke, seu velho professor de psicologia, obriga-o a dissecar a parte inferior de seu corpo e Freud vê sua bacia diante de si, separada do corpo. (B. T.)

PARA CONHECER MAIS

Uma vida para nosso tempo. Peter Gay. Companhia das Letras, 1989.


Fonte: Mente & Cérebro

domingo, 21 de outubro de 2007

Análise do ego, por Freud.


"Libido é expressão extraída da teoria das emoções. Damos esse nome à energia, considerada como uma magnitude quantitativa (embora na realidade não seja presentemente mensurável), daqueles instintos que têm a ver com tudo o que pode ser abrangido sob a palavra ‘amor’. O núcleo do que queremos significar por amor consiste naturalmente (e é isso que comumente é chamado de amor e que os poetas cantam) no amor sexual, com a união sexual como objetivo. Mas não isolamos disso - que, em qualquer caso, tem sua parte no nome ‘amor’ -, por um lado, o amor próprio, e, por outro, o amor pelos pais e pelos filhos, a amizade e o amor pela humanidade em geral, bem como a devoção a objetos concretos e a idéias abstratas. Nossa justificativa reside no fato de que a pesquisa psicanalítica nos ensinou que todas essas tendências constituem expressão dos mesmos impulsos instintuais; nas relações entre os sexos, esses impulsos forçam seu caminho no sentido da união sexual, mas, em outras circunstâncias, são desviados desse objetivo ou impedidos de atingi-lo, embora sempre conservem o bastante de sua natureza original para manter reconhecível sua identidade (como em características tais como o anseio de proximidade e o auto-sacrifício).

Somos de opinião, pois, que a linguagem efetuou uma unificação inteiramente justificável ao criar a palavra ‘amor’ com seus numerosos usos, e que não podemos fazer nada melhor senão tomá-la também como base de nossas discussões e exposições científicas. Por chegar a essa decisão, a psicanálise desencadeou uma tormenta de indignação, como se fosse culpada de um ato de ultrajante inovação. Contudo, não fez nada de original em tomar o amor nesse sentido ‘mais amplo’. Em sua origem, função e relação com o amor sexual, o ‘Eros’ do filósofo Platão coincide exatamente com a força amorosa, a libido da psicanálise, tal como foi pormenorizadamente demonstrado por Nachmansohn (1915) e Pfister (1921), e, quando o apóstolo Paulo, em sua famosa Epístola aos Coríntios, louva o amor sobre tudo o mais, certamente o entende no mesmo sentido ‘mais amplo’. Mas isso apenas demonstra que os homens nem sempre levam a sério seus grandes pensadores, mesmo quando mais professam admirá-los.

A psicanálise, portanto, dá a esses instintos amorosos o nome de instintos sexuais, a potiori e em razão de sua origem. A maioria das pessoas ‘instruídas’ encarou essa nomenclatura como um insulto e fez sua vingança retribuindo à psicanálise a pecha de ‘pansexualismo’. Qualquer pessoa que considere o sexo como algo mortificante e humilhante para a natureza humana está livre para empregar as expressões mais polidas ‘Eros’ e ‘erótico’. Eu poderia ter procedido assim desde o começo e me teria poupado muita oposição. Mas não quis fazê-lo, porque me apraz evitar fazer concessões à pusilanimidade. Nunca se pode dizer até onde esse caminho nos levará; cede-se primeiro em palavras e depois, pouco a pouco, em substância também. Não posso ver mérito algum em se ter vergonha do sexo; a palavra grega ‘Eros’, destinada a suavizar a afronta, ao final nada mais é do que tradução de nossa palavra alemã Liebe [amor], e finalmente, aquele que sabe esperar não precisa de fazer concessões."

Trecho de "Psicologia de Grupo e a análise do ego" (1921) [ES, XVIII, 115-17]

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Sigmund Freud: O pai e a mãe da psicanálise



Nascido no ano de 1856 em Freiberg, na Morávia, Sigmund Freud é considerado o pai da psicanálise. Estudou medicina na Universidade de Viena e desde cedo se especializou em neurologia. Seus estudos foram os pioneiros acerca do inconsciente humano e suas motivações. Ele, durante muito tempo (de fins do século passado até início do nosso século), trabalhou na elaboração da psicanálise.

A psicanálise é um método de tratamento para perturbações ou distúrbios nervosos ou psíquicos, ou seja, provenientes da psique; bastante diferente da hipnose ou do método catártico. A terapêutica pela catarse hipnótica deu excelentes resultados, não obstante as inevitáveis relações que se estabeleciam entre médico e paciente. Posteriores investigações levaram Freud a modificar essa técnica, substituindo a hipnose por um método de livre associação de idéias (psicanálise).

O método psicanalítico de Sigmund Freud, consistia em estabelecer relações entre tudo aquilo que o paciente lhe mostrava, desde conversas, comentários feitos por ele, até os mais diversos sinais dados do inconsciente.

O psicanalista deveria "quebrar" os vínculos, os tratos que fazemos ao nos comunicarmos uns com os outros. Ele não poderia ficar sentado ouvindo e compreendendo apenas aquilo que o seu paciente queria dizer conscientemente, mas perceber as entrelinhas daquilo que ele o diz. É o que se chama de quebra do acordo consensual. Há uma ruptura de campo, pois o analista não se restringe somente aos assuntos específicos, e sim ao todo, ao sentido geral.

Freud sempre achou que existia um certo conflito entre os impulsos humanos e as regras que regem a sociedade. Muitas vezes, impulsos irracionais determinam nossos pensamentos, nossas ações e até mesmo nossos sonhos. Estes impulsos são capazes de trazer à tona necessidades básicas do ser humano que foram reprimidas, como por exemplo, o instinto sexual. Freud vai mostrar que estas necessidades vêm à tona disfarçadas de várias maneiras, e nós muitas vezes nem vamos ter consciência desses desejos, de tão reprimidos que estão. Freud ainda supõe, contrariando aqueles que dizem que a sexualidade só surge no início da puberdade, que existe uma sexualidade infantil, o que era um absurdo para a época. E muitos de nossos desejos sexuais foram reprimidos quando éramos crianças. Estes desejos e instintos, sensibilidade sensitiva que todos nós temos, são a parte inconsciente de nossa mente chamada id. É onde armazenamos tudo o que foi reprimido, todas as nossas necessidades insatisfeitas. “Princípio do prazer” é esta parte que existe em cada um de nós. Mas existe uma função reguladora deste “princípio do prazer”, que atua como uma censura ante aos nossos desejos, que é chamada de ego. Precisamos desta função reguladora para nos adaptarmos ao meio em que vivemos. Nós mesmos começamos a reprimir nossos próprios desejos, já que percebemos que não vamos poder realizar tudo o que quisermos. Vivemos em uma sociedade que é regida por leis morais, as quais tomamos consciência desde pequenos, quando somos educados. A consciência do que podemos ou não fazer, segundo as regras da sociedade em que vivemos é a parte da nossa mente denominada superego (princípio da realidade). O ego, vai se apresentar como o regulador entre o id e o superego, para que possamos conciliar nossos desejos com o que podemos moralmente fazer. O paciente neurótico nada mais é do que uma pessoa que despende energia demais na tentativa de banir de seu consciente tudo aquilo que o incomoda (reprimir), por ser moralmente inaceitável.

A psicanálise se apoia sobre três pilares: a censura, o conteúdo psíquico dos instintos sexuais e o mecanismo de transferência. A censura é representada pelo superego, que inibe os instintos inconscientes para que eles não sejam exteriorizados. Nem sempre isso ocorre, pode ser que eles burlem a censura, por um processo de disfarce, manifestando-se assim com sintomas neuróticos. Existem diversas formas de exteriorizarmos nossos instintos inconscientes: os atos falhos, que podem revelar os segredos mais íntimos e os sonhos. Os atos falhos são ações inconscientes que estão em nosso cotidiano; são coisas que dizemos ou fazemos que um dia tínhamos reprimido. Por exemplo: certo dia, um bispo foi visitar a família de um pastor, que era pai de umas meninas adoráveis e muito comportadas. Este bispo tinha o nariz enorme. O pastor pediu às suas filhas para que não comentassem sobre o nariz do bispo, pois geralmente as crianças começam a rir quando notam este tipo de coisa, já que o mecanismo de censura delas não está totalmente formado. Quando o bispo chegou, as meninas se esforçaram ao máximo para não rirem ou fazerem qualquer comentário a respeito do notável nariz, mas quando a irmã menor foi servir o café, disse:

- O senhor aceita um pouco de açúcar no nariz?

Este é um exemplo de um ato falho, proveniente de uma reprimida vontade ou desejo. Outro meio de tornarmos conscientes nossos desejos mais ocultos é através dos sonhos. Nos sonhos, o nosso inconsciente (id) se comunica com o nosso consciente (ego) e revelamos o que não queremos admitir que desejamos, pelo fato da sociedade recriminar (principalmente os de caráter sexual).

Os instintos sexuais são os mais reprimidos , visto que a religião e a moral da sociedade concorrem para isso. Mas, é aí que o mecanismo de censura torna-se mais falho, permitindo assim que apareçam sintomas neuróticos. Explicando a sua teoria da sexualidade, Freud afirma que há sinais desta logo no início da vida extra uterina, constituindo a libido.

A libido envolve do nascimento à puberdade, períodos de gradativa diferenciação sexual. A primeira fase é chamada de período inicial, onde a libido está direcionada para o próprio corpo, oral e analmente. A segunda fase, o período edipiano, que se caracteriza por uma fixação libidinal passageira entre os 4 e os 5 anos, também conhecida como "complexo de Édipo", pelo qual a libido, já dirigida aos objetos do mundo exterior, fixa a sua atenção no genitor do sexo oposto, num sentido evidentemente incestuoso. Por fim o período de latência, iniciado logo após a fase edipiana, só irá terminar com a puberdade, quando então a libido toma direção sexual definida.

Esses períodos ou fases são essenciais ao desenvolvimento do indivíduo, se ele as resolver bem será sadio, porém qualquer problema que porventura ele tiver em superá-las, certamente iniciará um processo de neurose.

Último dos pilares da psicanálise, a transferência, é também uma arma, um trunfo usado pelos psicanalistas para ajudar no tratamento do paciente. Naturalmente, o paciente irá transferir para o analista as suas pulsões, positivas ou negativas, criando vínculos entre eles. O tratamento psicológico deve, então, ser entendido como uma reeducação do adulto, ou seja, uma correção de sua educação enquanto criança.

Assim, Freud desenvolveu um método de tratamento que se pode igualar a uma “arqueologia da alma”, onde o psicanalista busca trazer à luz as experiências traumáticas passadas que provocaram os distúrbios psíquicos do paciente, fazendo com que assim, ele encontre a cura.

Paciente de Freud diz que uma consulta salvou sua vida


Margarethe Lutz

Apenas uma consulta de 45 minutos com o "pai da psicanálise" em 1936 bastou para "salvar" a última paciente conhecida ainda viva de Sigmund Freud, a vienense Margarethe Lutz, 89 anos.

Segundo afirmou, ela sente "uma grande gratidão" por Freud, embora ele não tenha submetido a paciente a um tratamento de psicanálise propriamente dito: mantiveram apenas uma conversa.

Essa única consulta com Freud deixou uma lembrança inesquecível na então jovem de 18 anos, que morava com o pai e a madrasta, já que a mãe dela tinha morrido no parto.

"Freud me fez compreender que a família e uma educação rigorosa não são as únicas (coisas) que decidem, e que há outras possibilidades", afirmou a idosa. Margarethe disse que o psiquiatra foi muito compreensivo com ela, na época uma jovem sem experiência que se sentia sozinha e que seguiu os conselhos do famoso doutor.

A octogenária afirma que buscava na ópera uma forma de fugir da realidade. Ela fingia interpretar grandes peças, como "Tristão e Isolda", para superar o isolamento imposto pelo pai. Um dia, os operários que trabalhavam para o pai, dono de uma fábrica, a viram vestida como uma cantora da ópera de Richard Wagner e cantando. Eles ficaram escandalizados, contaram o fato para o pai da jovem e a chamaram de "louca".

O pai de Margarethe resolveu consultar o médico da família. O doutor disse que a jovem não sofria de nenhuma doença física, mas sim da "alma".

O doutor marcou uma consulta com um "médico de muito boa fama, mas muito caro", Freud, que já era famoso na época, mas de quem pai e filha nunca tinham ouvido falar. Margarethe não compreendeu então a importância histórica do encontro.

A paciente de Freud conta que o pai estava sempre ocupado e era muito rígido. Além disso, proibia o contato com jovens da mesma idade e a mantinha isolada, para evitar que conhecesse algum rapaz. "Ninguém falava comigo", afirma Margarethe.

Aos 89 anos e viúva há 17, ela continua fazendo esculturas e pintando. O último trabalho dela é um retrato em relevo da ganhadora do prêmio Nobel da Paz Bertha Von Suttner, que ficará pendurado nas paredes da casa em Viena onde passou a maior parte da vida. Além disso, ela costuma visitar as duas filhas do casamento de 35 anos. Uma vive na Califórnia (Estados Unidos) e a outra em Israel.

Da consulta com Freud há 71 anos, ela se lembra do famoso divã coberto com um tapete persa no consultório - apesar de não ter chegado a se deitar nele - e de prateleiras cheias de livros e objetos de escavações arqueológicas, que o psicanalista colecionava.

Freud começou a fazer perguntas da vida da jovem e o pai de Margarethe resolveu respondê-las pela filha. O "pai da psicanálise" pediu que ele o deixasse a sós com a filha, algo que o industrial aceitou, embora contrariado.

Uma vez a sós com Freud, Margarethe disse que tirava notas baixas no colégio, gostava de interpretar peças dramáticas e que o pai a levava ao cinema, mas a obrigava a sair da sala quando eram exibidas cenas amorosas.

Margarethe disse que achou Freud simplesmente "um homem velho" e não voltou ao consultório na rua de Berggasse (Viena) até o ano passado, apesar do local já não ser mais o mesmo.

O semanário Profil - que descobriu a única paciente viva - lembrou que o "pai da psicanálise" estava com câncer na boca desde 1923, o que obrigou a se submeter a várias operações dolorosas.

Na época já tinha publicado suas principais obras, como "Três ensaios para uma teoria sexual", "A interpretação dos sonhos" e "Totem e tabu", entre outras.

Freud recomendou que da próxima vez que fosse ao cinema continuasse sentada quando um casal se beijasse na tela. Além disso, aconselhou Margarethe a fazer esportes, ir a bailes e a ter contato com jovens da idade dela.

Como o industrial respeitava as opiniões de médicos, em particular a de Freud, aceitou os conselhos para a filha, que foram corretos. Margarethe chegou a se emancipar, conheceu o futuro marido e se casou aos 20 anos, em 1938.

Além disso, ela nunca precisou de psicanálise nem de psicoterapia. Margarethe também não leu os livros de Freud, um gênio que, perante a pressão dos nazistas e por ser judeu, foi obrigado a se exilar logo em seguida na Inglaterra, onde morreria dois anos depois.

Bem vindo ao blog Psicanálise Freudiana

Este espaço é dedicado ao estudo, informação e debate sobre a formação do psicanalista e a prática clínica da psicanálise.

Venha debater, estudar e, quem sabe, praticar a psicanálise em uma perspectiva politicamente correta, pedagogicamente adequada e filosoficamente inspiradora. Essa é a nossa proposta!

Veja os slides da aula introdução a psicanálise do prof. Chafic Jbeili

Teoria Psicanalítica

Conhecimentos elementares em psicologia geral